Lula: "Tenho a saúde perfeita e vou continuar a viajar"

Lula aconselhado a praticar exercício físico, alterar a dieta e descansar mais, num ano que se prevê difícil por causa da campanha.
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Pela primeira vez em 20 anos, o nome de Lula da Silva não estará no boletim de voto nas presidenciais de Outubro. Mas isso não significa que o ano vai ser descansado para o Presidente brasileiro, que quer ver eleita a actual ministra da Casa Civil, Dilma Roussef. A agenda carregada dos últimos dias levou a que fosse hospitalizado, na noite de quarta para quinta-feira, após apresentar a tensão alta. Ontem, foi submetido a um check-up e saiu do hospital de São Paulo como novo: "Tenho a saúde perfeita e vou continuar a viajar."

Foram três horas de exames no Instituto do Coração, durante os quais o Presidente, de 64 anos, foi submetido a um ecocardiograma, a uma tomografia das artérias, a um ultra-som do abdómen e outro da próstata, a um teste de função pulmonar e a exames de sangue e urina. Um check-up que já devia ter feito no final de 2009, mas que vinha adiando por causa de problemas de agenda. O susto de quarta-feira, quando uma crise de hipertensão (18 por 12) o impediu de viajar para Davos, na Suíça, tornou os exames essenciais.

O Presidente foi aconselhado pelos médicos a praticar mais exercício, cortar no sal dos alimentos e descansar mais. Mas será difícil, diante de um ano que não se adivinha fácil. "Temos de continuar viajando pelo Brasil. Tem muitas coisas para fazer este ano e a gente não pode deixar a peteca cair. Se a gente esmorece, todo mundo esmorece", afirmou Lula. "Estou me preparando para entrar em campo", assegurou.

Impedido por lei de se candidatar a um terceiro mandato em Outubro, Lula tem contudo intenção de participar activamente na campanha de Dilma Roussef, a sua aposta pessoal para as presidenciais. E já terá deixado bem claro que até Abril (quando os ministros que pretendem concorrer às eleições têm de se afastar do Governo) vai estar presente no maior número de eventos possíveis para dar visibilidade à ministra da Casa Civil. Lula procura transferir para Dilma parte da sua popularidade, que se encontra acima dos 80%.

"Acho que a agenda não é um problema de campanha. É um problema de compromissos que a gente vai assumindo e querendo cumprir", disse Lula, demonstrando não ter intenção de diminuir o ritmo de trabalho. Quanto aos exames, teve tempo para brincar: "Você leva seu carro na concessionária achando que tem um probleminha na porta direita. Aí você vai ver que ele está com problema em tudo o que é lugar. O check-up é assim, você acha que o problema é de pressão, daqui a pouco está com problema na unha do pé."

O cardiologista Roberto Kalil, médico pessoal do Presidente, indicou aos jornalistas que a única orientação que deu a Lula foi que siga com a sua vida. "Não aconteceu nada de mais. Os exames estão bons. Vai levar a vida dele no ritmo dele", afirmou.

Depois dos dias de descanso (entre quinta-feira e ontem esteve na sua casa privada em São Paulo), Lula retoma amanhã a sua agenda normal, com a cerimónia de abertura do ano judiciário, em Brasília, entre outros compromissos. A primeira viagem será já na quarta-feira, ao Rio de Janeiro, para a inauguração de um gasoduto. Ainda assim, segundo os seus assessores, esta será uma agenda "mais desidratada" que o normal.

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